A chuva caía lá fora, molhando as plantas do jardim, e o vento frio esvoaçava o cabelo louro escuro dela.
Eram 23h12min, ela conferiu olhando o relógio de pulso. Não chovia tanto, mas chovia. As ruas estavam um pouco cheias, apesar do horário. Um carro passou e jogou água na garota ao lado dela, ela sorriu. Ele que se postava do outro lado da rua, também esperando o sinal abrir para atravessar s St. Lucius Avenue, também riu.
Os dois, um de cada lado da rua, se encaravam levemente. Ela sorriu delicadamente. Ele levantava a mão e murmurava um “hey”, movimentando a boca, sem voz. Ela sorri de novo e acena a cabeça educadamente.
Ela olhou para a direita, e como não vinha nenhum carro, ela atravessa. Ele a estuda com atenção, sua pele é branca, tem lindos cabelos louros escuros levemente ondulados. Seus olhos azuis fixavam-no atentamente.
Ele tinha um corpo magro-atlético, de pele branca, seu cabelo era liso, encaracolava na orelha, e era castanho, com luzes fantásticas. Tinha os olhos claros de que cor ela não conseguira distinguir. De repente, o rosto dele tomou um ar assustado e ele apontava para o lado esquerdo dela (dele, o direito).
A garota ouviu uma buzina alta e desesperada e olhou. Só viu dois faróis vindo atrás dela, a buzina era forte e ele gritava. O carro era branco, um táxi. Não havia tempo para sair. Ela sentiu o baque de seu corpo no chão, a batida do carro era indolor. Talvez não fosse, mas agora ela já não sentia sua perna.
Antes de desmaiar, conseguiu ver o rosto dele, ajoelhado no chão, e depois o borrão que era provavelmente seu rosto gritando. A essa altura não ouvia mais sons.
_ Me leva para algum lugar, estranho. – E desmaiou.
Ela acordou.
Estava no que parecia uma sala de espera de alguma clínica. Fui atendida inconsciente? – Pensou. Sua perna doía um pouco e estava com algo a protegendo. Olhou em volta, ele estava conversando com uma mulher que estava atrás de uma mesa de madeira. Entregou algum dinheiro em dólares á ela e veio em sua direção.
_ Acordou Bela Adormecida? – Sua voz era firme, e pelo conjunto parecia ter uns 19 no máximo 21 anos.
_ Sim meu príncipe... Ou sapo? – Ela sorriu.
_ Pingüim. – Ela riu e ele deu um breve sorriso, mas sincero.
O pingüim era o animal mais romântico do mundo. Um dos únicos animais no mundo que, ao conseguir um par e formar um casal, “só rompe o romance” quando um dos dois morre, e mesmo quando um dos dois morre, o que ficou vivo não se relacionava de novo. Mas provavelmente ela já sabia disso, da maneira como ela riu.
_ Qual seu nome menina?
_ Taylor. Taylor Archibald. E o seu?
_ Daniel Crowford. Ele riu.
...
Caminhavam, a principio indo para o prédio de Taylor. Leva-la e coltar a vida normal, sem nunca mais se verem.
_ Você trabalha onde? – Pergunta ela, passando em frente á um prédio.
_ Sou escritor. Mas ganho a vida como promoter. E você, Taylor?
_ Ah... Você sabe. _ Ela olha para o lado oposto do rosto dele, parecendo confusa.
_ Não, não sei. – Ele estava sério.
Taylor se vira para Daniel, parecendo um tanto triste.
_ Stripper.
Ele não move um músculo do rosto. Sem expressões. Parecendo reflexivo. Um instante depois, ele olha para ela, com um olhar carinhoso e romântico.
_ Já sei. Agora você vai embora, porque conhece a verdadeira face da verdadeira puta que sou. – Diz, sem perceber que o toque em seu ombro não foi de despedida.
_ Você não parece ser uma puta. Olha para mim.
Quando ela se vira, ele a puxa pelo queixo, e fica cara á cara. Taylor sente a respiração dele em seu rosto, mas vira a cara para o lado, o olhando de canto do olho.
_ Que foi? – Pergunta Daniel.
_ Cautela...
...Que novembro maravilhoso, nao acha ?
Os dois caminham por volta de uns cinco minutos sem falar. Taylor pára em frente a um enorme prédio. Enorme e luxuoso.
_ Eu não sabia que strippers ganhavam tanto. – Diz sério.
_ Eu tenho que subir. – Sua voz pareceu triste ao rebater.
_ E eu?
Ela o encara por alguns instantes, e sorri.
_ Porque você não se importa? Eu to confusa.
_ Porque você se importa? – Ele responde e ri.
Os olhos de Taylor brilham, encarando os de Daniel. Eles se aproximam ¾ como se estivessem receosos.
E enfim os 4/4 se completam, formando um inteiro. O beijo ignorado enfim recebe importância.
_ Quer subir? – Pergunta Taylor, rindo.
Daniel sorriu.
Arthur Vikin
Qua 05 Mar 2008 20:49